Quinta-feira, Novembro 12, 2009

Missa em Dó Menor

Mais um ano, mais uma temporada de Música em S. Roque e mais um motivo de orgulho para o Instituto Gregoriano em geral e para mim em particular.
Foi um belo concerto, o do Sábado passado, com o coro e a orquestra em grande forma, fazendo-nos esquecer que são grupos de jovens e não de profissionais. Sentiu-se o espírito dos verdadeiros amadores de música, aqueles que a amam e se deixam guiar por ela. Se a reacção do público que encheu a igreja de S. Roque for um indicador, então este espírito passou certamente para todos os presentes.
Num espaço perfeito para fazer música do Sec. XVIII foi um privilegio para mim poder estar sentado no melhor lugar da sala e apreciar o concerto, tendo em conta que a prestação do Barítono nesta missa se resume ao último andamento. Enfim, há sortes piores.
Muito obrigado a todos os envolvidos por uma grande noite!

Quinta-feira, Novembro 05, 2009

Mais Mozart...



Para abrir o apetite para Sábado aqui ficam umas imagens do concerto do ano passado no festival, com o Requiem de Mozart.

Música em São Roque 2009





















Começa no próximo Sábado mais uma edição do Festival Música em São Roque. Apesar de não ir ter a oportunidade de participar tão intensivamente como no ano passado, ainda assim estarei em dois concertos. O primeiro é já o de abertura e apresenta uma das obras mais extraordinárias do repertório coral, a Missa em dó menor de Mozart.
Neste concerto estarei num duplo papel, como Barítono solista e como maestro do Coro de Câmara do IGL. A prestação como cantor é reduzida e é a de maestro do coro que me deixa mais ansioso, como é habitual.
Connosco em São Roque estará a Orquestra Sinfónica Juvenil dirigida pelo maestro Christopher Bochmann. Os restantes solistas são todos velhos companheiros de andanças, os sopranos Sandra Medeiros e Elsa Cortez e o tenor João Cipriano Martins.
Deixo-vos com imagens de um concerto mais antigo no mesmo espaço e convido todos a estarem presentes naquele que é um dos festivais de música mais antigos na capital, e mesmo do país. Para quem quiser saber o restante da programação, basta ir aqui.
Até Sábado!

Terça-feira, Novembro 03, 2009

A verdadeira força

Com muita frequência costumo dizer aos meus alunos que as facilidades naturais não são uma garantia de se chegar a algum lado. Antes pelo contrário, muitas vezes a falta de obstáculos faz com que não nos esforcemos verdadeiramente por fazer o melhor possível e subir realmente acima da mediania.
O vídeo que partilho convosco aqi não pretende ser excessivamente lamechas, mas é uma prova disto mesmo, para além de ser um testemunho fantástico da magia que a música pode trazer as nossas vidas, elevando-nos acima de dificuldades aparentemente inultrapassáveis.
Espero que vos inspire!

Terça-feira, Outubro 13, 2009

Semele

Aproveito para lembrar a última compra que fiz com Cecilia Bartoli e que não cheguei a mencionar no belogue. Em comemoração do ano Handel a Decca editou em DVD a ópera Semele. Handel é um compositor ideal para as características de Bartoli e o resto do elenco é absolutamente notável, com um Júliter que quase rouba o espectáculo com um Wher'er you walk absolutamente inesquecível.
Abro-vos o apetite com esta ária com um título perfeito para qualquer cantor: Myself I shall adore!

Sacrificium


Saiu ontem o último disco de Cecilia Bartoli e eu, como bom fã tive que o comprar no próprio dia!
O disco intitula-se Sacrificium e é dedicado às centenas de milhar de rapazes que foram sacrificados em nome da arte. Se bem que é completamente impossível para nós imaginar sequer a que soaria a voz de um castrado (as gravações sobreviventes de Mario Moreschi não são certamente uma indicação), Bartoli tem a capacidade técnica e a versatilidade para fazer interpretações notáveis.
O disco inclui um "compêndio de castrati", ou seja, um dicionário de termos relacionados com o tema. À imagem dos discos temáticos lançados pela diva na última década, a Decca não se poupou na apresentação e é um daqueles discos que vale a pena ter, não nos contentando com o download. Para aguçar o apetite deixo-vos com este teaser

Domingo, Outubro 11, 2009

Jornadas



























Partilho convosco algumas das imagens das Jornadas, nas quais apareço a dirigir e também no meu exercício mental anual de tradução simultânea durante a conversa com os maestros. Garanto que nem dirigir nem cantar durante horas me cansa tanto como aquele bocadinho. Tudo por uma boa causa!

XII Jornadas Internacionais

O fim-de-semana passado foi também uma oportunidade de reencontro com um projecto que me é muito caro, as Jornadas Internacionais de Música da Sé de Évora.
É sempre fantástico poder fazer música desta época na cidade que a viu nascer, sobretudo nos espaços fantásticos do Convento dos Remédios e da Sé de Évora.
Para mim é sempre uma honra surpreendente ver o meu nome junto com o de sumidades como Peter Phillips ou Owen Rees. É engraçado pensar que vi ambos a dirigir há cerca de 20 anos em Lisboa, experiência que foi determinante na minha vontade de me dedicar à interpretação da música deste período, e que agora me vejo colocado nesta parceria (não digo de igual para igual que nem me fica bem).
Estas jornadas tiveram um sabor nostálgico também pelo repertório interpretado, já que dirigi o Requiem de Estêvão de Brito, que gravei com o Olisipo há 15 anos. Enfim, regresso ao passado a vários níveis, mas sobretudo uns dias muitíssimo bem passados. Para o ano há mais e espero que os leitores qe nunca participaram decidam ir espreitar. Garanto que vale a pena!

Sexta-feira, Outubro 09, 2009

Missa da Coroação


As últimas semanas foram de tal modo atribuladas que nem consegui passar pelo belogue para anunciar o concerto da Missa da Coroação em Sintra no Centro Olga Cadaval no passado fim de semana.
Apesar da correria que o concerto causou, estando eu em Évora e com o cerro avariado, foi uma oportunidade fantástica de revisitar uma obra que cantei muitas vezes com um coro, ou melhor, vários coros, que fizeram um óptimo trabalho no final deste encontro de coros. Pude ainda reencontrar-me com a sempre fantástica Sinfonietta de Lisboa e ter uma espécie de reunião de curso no quarteto de solistas. Que mais se pode querer?...

Quarta-feira, Setembro 23, 2009

1001 Dálmatas?!?!

Longe de mim estar a fazer campanha eleitoral, coisa que não me interessa e da qual cada vez quero mais distância. Ainda assim, não deixa de me surpreender que após tudo o que este governo fez pela educação em geral e pelo ensino da música em particular haja a real lata de se querer fazer um bonito em público e fazer a festa das escolas da música no CCB, na qual se poderá mostrar que afinal está tudo bem no jardim à beira-mar plantado. Afinal de contas o povo é sereno, o rectângulo é ingovernável, como diz o outro senhor que não asfixia ninguém e os músicos ficam contentes se lhes derem a oportunidade de se apresentar no CCB. Parece-me a mesma lógica de tirar as terras aos índios em troca de missangas. Afinal de contas o CCB não é tão brilhante mas é bem maior.
A real lata para mim continua pelo facto de a grande festa ter tido a sua data alterada para um dia antes, por forma a não coincidir com as eleições. Acabemos o mandato in a blaze of glory e pode ser que os pobrezinhos fiquem tão contentes de ir a Belém que se esqueçam do que se passou. Pior que isso, marquemos a data ser consultar as escolas, digamos-lhes depois que a data é inalterável devido à programação do CCB, combinemos com o CCB a alteração da mesma data depois de serem anunciadas as eleições e por último, umas semanas mais tarde, informemos as centenas de participantes. Afinal de contas ninguém pode ter mais nada que fazer.
A coisa mais triste é que não vejo ninguém a concordar comigo. A dizer que os músicos são mais do que um DVD que se põe a tocar quando dá jeito. Que devíamos dizer que quem destroia fonte não tem direito a beber água, ou melhor, a vender garrafas. Que todos os alunos e professores de música do país deveriam is ao CCB à grande festa para fazer 1001 minutos de silêncio em palco, in memoriam dos conservatórios, cada vez menos centros de partilha de experiências e saberes e locais de crescimento e cada vez mais potenciais fábricas de inúteis normalizados, como fruta de supermercado. O único minuto de silêncio foi a resposta que me foi dada ao sugerir a ideia de ir para o palco de luto e em silêncio.
Aquilo que me pergunto é se não temos realmente tudo aquilo que merecemos. Quem será realmente pior, a marioneta, mesmo que se queixe da sua sorte, ou quem a manipula?

Nove do nove do nove




































O início de um ano lectivo é, por definição, uma época complicada. Este ano lectivo foi mais complicado do que muitos, com o esforço hercúleo da nossa ministra da (des)educação em alienar ainda mais uma franja do eleitorado que pudesse ter dúvidas relativamente ao que fazer no próximo fim-de-semana. Assim, a quantidade de trabalho tem sido tanta que nem me tenho aproximado do computador.
Espero que não seja demasiado tarde para partilhar convosco algumas fotos do meu aniversário, na data engraçada de nove do nove do nove. A próxima semelhante será em 2099 e não me parece que ainda por cá ande. Caso me engane, suspeito que devo estar nessa altura quase a chegar à idade da reforma...